As Novas Regras do Brasileirão 2026: o Que Muda Contra a Cera a Partir da 23ª Rodada
Desde a 23ª rodada do Brasileirão 2026, disputada em 15 de agosto, a CBF passou a aplicar um pacote de nove regras contra a perda de tempo — a maior parte delas já usada na Copa do Mundo de 2026, dentro do conjunto que a IFAB vinha testando. Uma décima, sobre revisão de escanteios pelo VAR, só entra em vigor em 2027. Goleiro com cronômetro pra soltar a bola, lateral e tiro de meta com cinco segundos de tolerância, atendimento médico que tira um jogador de linha do time por um minuto: se você assistiu Internacional x Atlético-MG em 22 de agosto e ficou sem entender por que o árbitro não parava de olhar pro relógio, é disso que se trata.
Por que a CBF mudou as regras no meio da temporada
A explicação oficial é objetiva: o Brasileirão vinha entregando, em média, 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida — menos que as grandes ligas europeias e menos que a MLS. A meta da CBF é chegar a 57–58 minutos de bola em jogo já nesta primeira etapa da mudança, com um segundo salto para 59–60 minutos depois. Em vez de esperar o fim da temporada, a entidade optou por aplicar o pacote imediatamente após a pausa para a Copa do Mundo, aproveitando que os times já vinham se familiarizando com boa parte dessas regras no próprio Mundial.
As regras, uma por uma
| Regra | Como funciona | Se for descumprida |
|---|---|---|
| Goleiro com a bola nas mãos | Limite de 8 segundos segurando a bola | Escanteio para o adversário |
| Tiro de meta | 5 segundos para cobrar depois que o árbitro inicia a contagem visível | Escanteio para o adversário |
| Lateral | 5 segundos para cobrar após a contagem visível do árbitro | Perde a posse; o adversário cobra no mesmo local |
| Substituição | Jogador substituído tem 10 segundos para deixar o gramado após a placa subir | Risco de cartão amarelo e atraso para o substituto entrar |
| Atendimento a jogador de linha | Quem é atendido fica pelo menos 1 minuto fora, e o time joga esse período com um a menos | — |
| Atendimento ao goleiro | Técnico ou capitão indica um jogador de linha para sair por 1 minuto no lugar dele | — |
| Conversa com o árbitro | Só o capitão pode se aproximar quando o árbitro cruza os braços acima da cabeça; os demais mantêm 4 metros | — |
| Cobrir a boca com a mão | Proíbe esconder da arbitragem falas provocativas ou depreciativas durante lances de tensão | Cartão vermelho |
| VAR no segundo amarelo | O árbitro de vídeo pode revisar uma expulsão por cartão amarelo duplo claramente equivocada | — |
| VAR em escanteios (2027) | Revisão de escanteios marcados errado que resultam em gol ou pênalti | Entra em vigor só na temporada 2027 |
A regra que mais dividiu o Conselho Técnico foi a de cobrir a boca — apelidada informalmente de “Lei Vini Jr.” pela imprensa esportiva, numa referência aos episódios de provocação que motivaram a discussão. A votação terminou 26 a 14 a favor, a mais apertada do pacote inteiro, justamente porque técnicos temem cartões vermelhos por gestos ambíguos, sem intenção real de esconder algo do árbitro.
Repare que as duas regras de atendimento médico — a de jogador de linha e a do goleiro — têm o mesmo efeito prático: o time perde um jogador em campo por 1 minuto. É esse mecanismo, e não uma expulsão, que explica cenas de um time jogando com um a menos sem cartão vermelho algum.
Duas dessas regras já têm explicação própria aqui no blog, com mais detalhe: a regra dos 8 segundos do goleiro e a regra do atendimento médico de 1 minuto.
O caso Internacional x Atlético-MG
Em 22 de agosto de 2026, na visita ao Beira-Rio, o Atlético-MG virou o exemplo mais comentado do fim de semana, com duas regras diferentes aparecendo na mesma partida. No segundo tempo, o goleiro Everson caiu após um choque com o atacante Vitinho, do Internacional, e pediu atendimento médico. Pela regra que cobre esse tipo de lance, coube à comissão técnica do Atlético-MG escolher um jogador de linha para cumprir o minuto fora de campo no lugar do goleiro — a escolha recaiu sobre o atacante Thiago Borbas. Mais adiante na partida, uma troca do Atlético-MG também esbarrou na regra da substituição: houve demora na saída de Ruan para a entrada do defensor Vitor Hugo e, como o prazo não foi cumprido, o próprio Vitor Hugo — que já tinha pisado em campo — precisou sair de novo e esperar um minuto antes de ser liberado para jogar.
Não foi a estreia do clube nas novas regras. Cinco dias antes, na vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio pela 23ª rodada — a rodada de estreia do pacote —, o atacante Cuello correu para atravessar o campo durante uma substituição, evitando que o Galo fosse penalizado pela regra que havia entrado em vigor naquele mesmo fim de semana. A cena virou referência de como jogadores e comissões técnicas tiveram que se adaptar rápido, sem período de adaptação nem jogos de teste.
O que ainda falta chegar: a revisão de escanteios em 2027
A décima medida do pacote — VAR revisando escanteios marcados errado que resultam em gol ou pênalti — não entra em vigor no restante de 2026. A CBF decidiu escalonar essa mudança para 2027, dando mais tempo para calibrar o protocolo de revisão antes de aplicá-lo em uma decisão que pode reverter um gol validado em campo. Até lá, escanteio mal marcado segue sem possibilidade de revisão, mesmo que resulte diretamente em gol.
Vale para toda competição da CBF?
O pacote vale para a Série A, a Série B, a Copa do Brasil (masculina e feminina) e o Brasileirão Feminino A1 — não é uma regra isolada da Série A. Competições estaduais, organizadas pelas federações, não estão automaticamente incluídas; cada federação decide se adota o mesmo pacote nos seus próprios campeonatos.