Mourinho volta ao Real Madrid: a estreia com gol no fim e o que muda no time
O Real Madrid venceu o Espanyol por 2 a 1, fora de casa, no estádio RCDE, em Barcelona, no sábado, 22 de agosto de 2026. O jogo marcou a volta de José Mourinho ao comando técnico do clube, treze anos depois de ter deixado o time em 2013, e foi decidido nos acréscimos: aos 90 minutos, o estreante Carlos Espí aproveitou jogada de Kylian Mbappé dentro da área para bater o goleiro Dmitrovic e fechar o placar.
Esse foi o primeiro jogo oficial de Mourinho no retorno porque a estreia do Real Madrid na La Liga 2026-27, marcada contra a Real Sociedad, havia sido adiada — parte do elenco disputou a Copa do Mundo de 2026 e voltou aos clubes depois do início do Campeonato Espanhol. Na prática, o duelo com o Espanyol já valeu como a segunda rodada da competição.
Como foi o jogo
O Real Madrid saiu na frente logo aos 9 minutos, com Jude Bellingham subindo mais que a marcação para cabecear um cruzamento de Arda Güler. O Espanyol buscou o empate ainda no primeiro tempo, por volta dos 30 minutos, com um gol de Álex Calatrava. Depois disso, a partida ficou truncada, com poucas chances claras dos dois lados até os minutos finais.
Foi aí que Mourinho mexeu no banco e viu a aposta dar certo: Carlos Espí, que havia entrado havia pouco, recebeu de Mbappé dentro da área e não desperdiçou, decretando a virada nos acréscimos. O resultado deu ao Real Madrid os primeiros três pontos da temporada e um final de jogo especialmente emocionado para o técnico português, que comemorou com intensidade à beira do gramado.
O time começou a partida com Courtois no gol; Dumfries, Konaté, Huijsen e Carreras na defesa; Valverde e Bernardo Silva no meio; Bellingham, Arda Güler e Vinícius Jr avançados; e Mbappé na frente. Ferland Mendy, Éder Militão e Rodrygo ficaram de fora por lesão.
Os seis estreantes escalados por Mourinho
A escalação reservou espaço imediato para as contratações do meio do ano. Seis jogadores fizeram sua estreia oficial pelo clube na mesma partida:
| Jogador | Situação na partida |
|---|---|
| Ibrahima Konaté | titular, jogou os 90 minutos |
| Denzel Dumfries | titular, substituído aos 80’ |
| Bernardo Silva | titular, substituído aos 80’ |
| Marc Cucurella | entrou aos 64’ |
| Yan Diomandé | entrou aos 64’ |
| Carlos Espí | entrou no fim, marcou o gol da vitória aos 90’ |
Konaté foi o único entre os seis a cumprir a partida inteira, formando a zaga ao lado de Dean Huijsen. Cucurella, apontado como titular em boa parte da pré-temporada, começou no banco e entrou já no segundo tempo — sinal de que Mourinho ainda está testando combinações antes de definir a lateral esquerda titular.
Bellingham mais perto do gol
Depois da partida, Mourinho confirmou publicamente a mudança de função que já vinha sendo testada na pré-temporada: quer Jude Bellingham atuando como um camisa 10, próximo da área adversária, e não recuado como volante ou meia de ligação. Segundo o técnico, tirar o inglês dessa posição custaria justamente o que o torna mais perigoso: “Se ele joga de 6 ou 8, perdemos a proximidade dele com o gol, e eu gosto do Jude nessa versão.”
O gol de cabeça logo aos 9 minutos reforçou o argumento na prática — Bellingham foi eleito o melhor em campo na estreia. Mourinho já havia sinalizado o plano em entrevistas antes da partida; o resultado deu a ele um primeiro exemplo público para defender a escolha.
A defesa pública de Vinícius Jr
O outro assunto que dominou a coletiva pós-jogo foi a marcação recebida por Vinícius Jr. Logo aos 3 minutos, o zagueiro Calatrava acertou um chute nas costas do brasileiro enquanto ele estava caído, sem receber cartão. Questionado sobre a sequência de faltas duras que o atacante costuma sofrer, Mourinho foi direto: “Não é um santo, mas o que fazem com ele é demais.”
O técnico descreveu um padrão que, segundo ele, se repete jogo após jogo — jogadores diferentes revezando as faltas para evitar acumular cartões amarelos sobre o mesmo nome — e chamou a situação de bullying: “Vivemos numa era social contra o bullying. Com o Vinícius, ainda estamos numa era de bullying por parte das equipes rivais e das torcidas.” A fala reacende uma discussão que já acompanha o atacante desde os tempos de Carlo Ancelotti no comando do time, agora com Mourinho assumindo publicamente a defesa do jogador logo na primeira coletiva do novo ciclo.
O que isso sinaliza para a temporada
Um resultado só não define um time, mas a estreia já deixou pistas do que Mourinho pretende priorizar: elenco reforçado entrando aos poucos, Bellingham repaginado como referência ofensiva e um discurso público de proteção a Vinícius Jr diante da imprensa e dos árbitros. A sequência natural é observar se essas três frentes — rotação dos estreantes, função de Bellingham e o tratamento arbitral a Vinícius — se confirmam nos próximos jogos do calendário espanhol.