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Como Dividir Times de Vôlei Equilibrados na Quadra e na Areia

Publicado em
Tempo de leitura 7 min
Dois times de vôlei separados nos dois lados da rede, um em quadra coberta e outro simbolizado por areia

Dividir times de vôlei por “nível geral” costuma dar errado de um jeito específico: os dois lados parecem parelhos no papel, mas um time não consegue montar uma jogada de ataque e o outro sim. O motivo quase sempre é o mesmo — os dois levantadores do grupo caíram no mesmo lado. No vôlei, antes de olhar quem joga melhor, é preciso olhar quem faz o quê. O método abaixo separa por função primeiro e só depois ajusta por nível.

Por que o vôlei não se divide como o futebol

No futebol, um time com jogadores mais fracos ainda consegue jogar — a bola circula, todo mundo toca, o placar sofre mas o jogo acontece. No vôlei não é assim, porque o ataque depende de uma sequência de três toques com uma função bem definida em cada um: recepção, levantamento, ataque. Se o time não tem ninguém que saiba levantar com consistência, a segunda bola vira uma cortada crua ou uma bola jogada de qualquer jeito para o outro lado — o jogo trava, e não é porque os jogadores são ruins, é porque falta a peça que organiza a jogada.

É por isso que “nível médio parecido” não é suficiente para equilibrar um jogo de vôlei. Dois times com a mesma média de habilidade podem ficar completamente desequilibrados se toda a capacidade de levantar estiver do mesmo lado.

O método em 4 passos

Passo 1 — separe primeiro quem levanta

Antes de pensar em qualquer outra coisa, identifique quem no grupo consegue levantar com consistência — organizar a segunda bola para um ataque, não só tocar a bola para cima. Coloque um levantador em cada time antes de distribuir mais ninguém. Se o grupo só tem um levantador de verdade, avise o outro time com antecedência: alguém vai precisar assumir a função por eliminação, e vale escolher quem tem melhor toque de dedos entre os que sobraram, mesmo que não seja a função natural da pessoa.

Passo 2 — distribua quem recebe bem o saque

A recepção é o primeiro toque, e se ela sair errada o levantador nem chega a jogar a bola onde quer. Depois dos levantadores, identifique quem recebe saque com mais segurança e distribua um por time. Grupos que pulam esse passo e vão direto para “quem ataca mais forte” acabam com um time que recebe bem e ataca bem, e outro que nunca recebe uma bola boa o suficiente para atacar.

Passo 3 — equilibre altura e ataque

Só agora entra o critério mais óbvio: quem bloqueia bem perto da rede e quem finaliza com mais força. Distribua os jogadores mais altos e os que cortam com mais potência de forma alternada entre os dois times, do mesmo jeito que se faz com o levantador e com quem recebe bem.

Passo 4 — feche o resto pelo nível geral

Com as três funções críticas já divididas, o restante do grupo entra por nível geral, alternando entre os times para não empilhar os mais fracos ou os mais fortes de um lado só. Aqui vale o bom senso comum de qualquer sorteio: intercalar, não simplesmente jogar quem sobrou de uma vez só no mesmo time.

Exemplo com 12 pessoas (dois times de 6, na quadra)

PassoJogadorCritérioTime
1JoãoLevantadorA
1MarinaLevantadorB
2PedroMelhor recepçãoB
2AnaSegunda melhor recepçãoA
3LucasMais alto, bom bloqueioA
3BiaAtaque mais forteB
4DiegoNível geral bomB
4SofiaNível geral bomA
4RafaelNível intermediárioA
4DudaNível intermediárioB
4ThiagoInicianteB
4CarlaInicianteA

Time A: João, Ana, Lucas, Sofia, Rafael, Carla Time B: Marina, Pedro, Bia, Diego, Duda, Thiago

Repare que cada time saiu com um levantador, uma recepção forte, um jogador de altura/ataque, um nível geral bom, um intermediário e um iniciante. É essa distribuição por função — não a soma de “pontos de habilidade” — que faz os dois lados jogarem parecido.

Exemplo com 14 pessoas

Catorze não fecha limpo em dois times de seis. Duas saídas funcionam bem, dependendo de onde vocês vão jogar:

  • Na quadra: monte os dois times de 6 pelo mesmo método acima e deixe 1 reserva de cada lado. Combine que os reservas entram no lugar de um titular a cada set — assim ninguém fica o jogo inteiro no banco, e o time que está jogando continua com seis em quadra.
  • Na areia, em jogo recreativo: monte dois times de 7 direto, aplicando o mesmo método (levantador, depois recepção, depois ataque, depois o resto) com uma pessoa a mais em cada time. Funciona bem quando o objetivo é todo mundo jogar ao mesmo tempo, sem ninguém de fora.

Na areia é diferente?

O vôlei de praia oficial é jogado 2 contra 2, em quadra de areia de 16 m por 8 m, sem líbero e sem substituições — cada dupla joga com o que tem em quadra do início ao fim do set. Mas praticamente ninguém que joga vôlei de praia entre amigos segue esse formato à risca: como só cabem dois por lado, um grupo de 10 ou 12 pessoas precisaria de várias quadras ou de um rodízio de duplas só para todo mundo jogar. Por isso o mais comum na praia entre amigos é jogar 4 contra 4 ou 6 contra 6, num formato mais próximo do vôlei de quadra do que da dupla oficial.

Quando o jogo é assim, o método dos 4 passos continua valendo, com um ajuste: como a areia raramente tem alguém especializado só em defesa (o papel que o líbero cumpre na quadra), dê mais peso para quem defende bem a bola baixa antes de olhar quem ataca com mais força. Sem essa defesa, a bola nem chega para o levantador terminar a jogada.

Se o grupo joga de fato 2 contra 2, o critério muda: ali não existe função fixa, então o que equilibra as duplas é combinar sempre um jogador mais ofensivo com um mais defensivo, e nunca colocar os dois mais fracos do grupo na mesma dupla.

Quando o grupo não tem ninguém que “levanta de verdade”

Isso é comum em jogos bem casuais, e não impede o jogo — só muda o critério do passo 1. Em vez de procurar quem levanta, procure quem tem melhor toque de dedos em geral (mesmo que a pessoa normalmente ataque ou receba) e distribua essa habilidade entre os times, do mesmo jeito que faria com um levantador de verdade. O jogo fica mais bagunçado nos dois lados, mas continua parelho.

Vale a pena sortear em vez de escolher por função?

Para uma pelada bem informal, sem ninguém prestando atenção em quem levanta ou recebe melhor, um sorteio aleatório resolve rápido e ninguém reclama de favoritismo. Se você já tem os participantes definidos e quer separar as equipes rapidamente, use o sorteador de times do Squadb para fazer a divisão automática — e só aplique o método deste artigo por cima, trocando manualmente quem ficou no mesmo time por engano, como os dois levantadores do exemplo acima.

Antes de decidir os times, também ajuda saber quantos jogadores tem um time de vôlei e o que cada posição faz em quadra — é o que permite reconhecer quem no grupo já exerce essas funções sem perceber.